
Quando a Apple anunciou o MacBook Neo, muita gente torceu o nariz. Afinal, ele não é o Mac mais potente da empresa, não traz chips da família M e nem pretende substituir os modelos Air ou Pro.
Mas talvez essa análise esteja olhando para o produto da forma errada.
O MacBook Neo não foi criado para competir com os próprios Macs da Apple. Ele foi criado para disputar espaço com os notebooks Windows de entrada e intermediários, oferecendo a experiência do ecossistema Apple por um preço mais acessível.
O Mac mais acessível da história

Quando foi lançado, o MacBook Neo chegou ao Brasil com preço oficial a partir de R$ 7.299. A proposta da Apple era clara: criar um notebook capaz de levar a experiência do Mac para um público muito maior.
Meses depois do lançamento, o cenário já é diferente. O modelo passou a ser encontrado por importadores e revendedores independentes em faixas que normalmente variam entre R$ 4.000 e R$ 5.000, dependendo da configuração, da cotação do dólar e da disponibilidade do produto. Essa redução de preço mudou completamente a percepção do mercado sobre o aparelho.
Nessa faixa de valor, o MacBook Neo deixa de disputar espaço apenas com outros Macs e passa a concorrer diretamente com notebooks Windows intermediários de fabricantes como Dell, Lenovo, Samsung, ASUS e Acer.
O interessante é que, mesmo sendo o modelo de entrada da Apple, ele entrega características normalmente associadas a equipamentos mais caros:
- Tela Liquid Retina de 13 polegadas;
- Chip A18 Pro;
- Até 16 horas de bateria;
- Estrutura em alumínio;
- Câmera FaceTime HD de 1080p;
- Wi-Fi 6E;
- Apple Intelligence;
- Design leve e portátil. (Apple)
Na prática, o MacBook Neo acabou se tornando aquilo que muitos usuários esperavam há anos: um Mac verdadeiramente acessível.
Para quem sempre quis entrar no ecossistema Apple, mas considerava um MacBook Air ou Pro caro demais, o Neo surge como uma porta de entrada bastante interessante. E é justamente por isso que ele vem chamando tanta atenção desde o lançamento.
Se encontrado na faixa de R$ 4 mil a R$ 5 mil, seu custo-benefício se torna difícil de ignorar, especialmente para estudantes, profissionais administrativos, usuários domésticos e pessoas que desejam migrar do Windows para o macOS sem fazer um investimento tão elevado.
Mas ele é potente?
Depende da sua necessidade.
O chip A18 Pro é o mesmo conceito de arquitetura que tornou os iPhones extremamente rápidos nos últimos anos. Segundo a Apple, ele entrega desempenho suficiente para navegação, streaming, aplicativos de produtividade, edição de fotos, estudos e recursos de inteligência artificial embarcados.
Para a maioria dos usuários, isso significa que o MacBook Neo terá sobra de desempenho para:
- Navegar na internet;
- Utilizar Microsoft Office;
- Fazer videoconferências;
- Assistir vídeos;
- Trabalhar com documentos;
- Utilizar Canva;
- Utilizar redes sociais;
- Estudar;
- Organizar projetos pessoais.
O erro de comparar com um MacBook Pro

Muitas análises começaram comparando o MacBook Neo com modelos profissionais.
Na minha visão, esse é justamente o erro.
Ninguém compra um Fiat Mobi esperando o desempenho de uma BMW. Da mesma forma, o MacBook Neo não foi desenvolvido para competir com um MacBook Pro equipado com chip M5 Pro ou M5 Max.
O objetivo é outro.
Ele existe para atender quem hoje compra notebooks básicos de fabricantes tradicionais e deseja entrar no universo Apple sem gastar valores muito elevados.
O que pode incomodar?
Alguns usuários mais exigentes podem sentir falta de recursos encontrados nos modelos superiores.
Entre os pontos que merecem atenção estão:
- Memória inicial de 8 GB;
- Apenas um monitor externo suportado;
- Duas portas USB-C;
- Foco em produtividade e uso cotidiano, e não em fluxos profissionais pesados.
Para edição profissional de vídeo, desenvolvimento avançado, modelagem 3D ou grandes projetos de áudio, os MacBook Air e MacBook Pro continuam sendo escolhas mais adequadas.
Vale a pena?

A resposta depende do perfil de cada usuário.
Se você já possui um MacBook Air M1 ou superior funcionando bem, dificilmente encontrará motivos para trocar pelo Neo.
Mas para quem utiliza um notebook Windows básico, está entrando no ecossistema Apple ou procura um computador portátil, silencioso, elegante e com excelente autonomia de bateria, o MacBook Neo pode ser uma das opções mais interessantes lançadas pela Apple nos últimos anos.
O MacBook Neo não veio para substituir o MacBook Air.
Ele veio para tornar o Mac acessível a um público que antes apenas observava o ecossistema Apple de longe.
E talvez seja justamente aí que esteja sua maior importância.
E para DJs?

Aqui surge um ponto que merece atenção.
Como DJ, vejo o MacBook Neo com certo cuidado. Não porque ele seja um computador ruim, mas porque sua proposta é diferente dos Macs equipados com chips da série M.
Quem trabalha com música sabe que estabilidade é mais importante do que números em uma ficha técnica. Durante muitos anos, muitos DJs utilizaram MacBooks Intel com sucesso, mas alguns modelos mais simples, especialmente os MacBook Air Intel, nem sempre entregavam a melhor experiência em situações mais exigentes, com múltiplas faixas, controladoras, bibliotecas extensas e diversos dispositivos conectados ao mesmo tempo.
O MacBook Neo utiliza o chip A18 Pro, o mesmo projeto de arquitetura presente nos iPhones mais avançados. A Apple afirma que ele oferece desempenho suficiente para atividades do dia a dia, multitarefa, edição de fotos e recursos de inteligência artificial. (Apple)
No entanto, para quem trabalha profissionalmente com DJing, ainda existe uma dúvida legítima: como esse equipamento se comportará em apresentações longas, com softwares como Djay Pro, Serato DJ, Rekordbox ou VirtualDJ, especialmente quando conectado a controladoras, interfaces de áudio e bibliotecas musicais muito grandes?
Os chips da família M já demonstraram ao longo dos últimos anos uma excelente capacidade para tarefas de áudio e vídeo, com ampla margem de desempenho e grande eficiência energética. O A18 Pro possui especificações mais modestas, com CPU de 6 núcleos, GPU de 5 núcleos e 8 GB de memória unificada na configuração padrão. (Apple)
Por isso, se eu fosse recomendar um computador para um DJ profissional que depende dele para trabalhar todos os fins de semana, ainda me sentiria mais confortável indicando um MacBook Air com chip M1, M2 ou superior, equipamentos que já possuem histórico comprovado nesse tipo de utilização.
Já para quem está começando, toca ocasionalmente, utiliza playlists, eventos menores ou busca uma solução de entrada no ecossistema Apple, o MacBook Neo pode ser uma alternativa interessante. Apenas acredito que ele ainda precisa construir sua reputação no mercado de DJs antes de receber a mesma confiança que os Macs da série M conquistaram.
Quando o assunto é trabalho ao vivo, a pergunta não é apenas “ele é rápido?”. A pergunta é: “ele continuará estável depois de quatro ou cinco horas de apresentação sem interrupções?”. E essa resposta só o tempo e a experiência dos usuários poderão fornecer.
Ed Oliveira
Apaixonado pelo ecossistema Apple, compartilha dicas, análises e experiências para ajudar usuários a aproveitar melhor seus dispositivos.

